A criada (2016)

Título original: Ah-ga-ssi

Título em inglês: The handmaiden

País: Coréia do Sul

Duração: 2 h e 25 min

Gêneros:  Drama, mistério, romance, thriller

Diretor: Park Chan-Wook

IMDB: www.imdb.com/title/tt4016934/


“A criada” é um filme surpreendente, no qual seu diretor, Park Chan-Wook, o mesmo de Oldboy,  já comentado aqui no blog, abusa do que eu chamo de  plots over plots, ou seja, reviravoltas sobre reviravoltas e, de maneira magistral, controla a máquina do tempo nos levando para frente e para trás no roteiro, para um bom entendimento da história – e para complicar só um pouquinho, mas nada que tire o brilho desse que considero o melhor filme de 2016.

A narrativa conta com 4 personagens principais, e as impressões iniciais dos mesmos seguem abaixo :

  1. Hideko, órfã de pai e mãe, ingênua, herdeira de uma grande fortuna, vive com seu tio Kouzuki.
  2. Kouzuki, um homem pervertido, o qual vende livros eróticos e, assim como fazia com sua mulher falecida, coloca Hideko para realizar a leitura – de uma maneira teatral – desses livros, para plateias de homens, no intuito de incentivá-los a comprar suas obras. Tem olhos grandes na fortuna de Hideko.
  3. “Conde” Fujiwara, um vigarista que pretende se casar com Hideko e ter acesso a sua fortuna.
  4. Sook-Hee, uma moça pobre, analfabeta e igualmente vigarista, que é infiltrada como criada na casa de Hideko por Fujiwara, para ajudá-lo com seu plano nefasto.

Através da apresentação dos personagens se depreende que há um interesse muito grande em torno do dinheiro da herdeira, e que a fragilidade aparente da protagonista incentiva e facilita todo tipo de golpe. Quem conhece o estilo do diretor já deve saber que em se tratando de Park Chan-Wook nada é o que parece, pois nos enganamos a cada momento com o comportamento dos personagens, que mudam a cada fato novo na trama. Sook-Hee, que parece ser o elo mais fraco, pois é apenas uma criada pobre, será o ponto chave da narrativa. Prestem bem atenção em suas atitudes. A verdade é que todos os 4 personagens têm falhas de caráter – uns mais, outros menos -, e o jogo de mentiras que vemos com o desenrolar da história trilha o caminho para o desfecho final, privilegiando aqueles que nutrem o maior dos sentimentos: o amor. Isto mesmo, o amor! Num suspense desta natureza, o amor é a variável preponderante e que diferencia os vencedores dos vencidos.

Didaticamente, o diretor dividiu o roteiro em 3 partes. A primeira introduz os personagens. A segunda – e mais importante – explica a primeira, e a terceira fecha o polígono das vidas dos protagonistas e finaliza a história. Estas divisões são explicitamente mostradas no filme e nos ajudam a não nos perdermos, pois é realmente um filme complexo.

Meu último comentário sobre o roteiro é que, seguindo a linha do cinema coreano contemporâneo, é um filme cru, no qual as cenas violentas são chocantes mesmo e as cenas eróticas são explícitas – inclusive com cenas homossexuais -,  portanto, tirem as crianças da sala e apreciem este genuíno representante dos filmes inteligentes advindo de uma das terras das pessoas de olhos puxados. O cinema coreano é realmente diferenciado! Surpreenda-se!

O trailer, com legendas em português, segue abaixo.

Adriano Zumba

Anúncios

1 comentário Adicione o seu

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.