Swades : We, the people (2004)

País: Índia

Duração: 3 h e 09 min

Gênero:  Drama

Diretor: Ashutosh Gowariker

IMDB: http://www.imdb.com/title/tt0367110/


Hesitating to act because the whole vision might not be achieved, or because others do not yet share it, is an attitude that only hinders progress” – Mahatma Gandhi

Traduzindo e adaptando : “Hesitar em agir, por não possuir um completo entendimento ou porque os outros ainda não concordam, é uma atitude que dificulta o progresso”.

À primeira vista parece uma mensagem sobre a busca de atitudes em meio às dificuldades de um caso hipotético, considerando o conhecimento parcial de um problema e a falta de concordância das pessoas, mas “Swades” mostra uma interpretação mais abrangente desta frase, que, diga-se de passagem, inicia o filme em tela. Perceberemos mensagens complexas e profundas sobre a busca de um equilíbrio entre dogmas, costumes, tradições, crenças de um país e a tão inevitável modernidade. Também, a busca de algo melhor para a vida da população. É um típico filme indiano, com  vários gêneros, cores, música, dança, emoção e mensagens interessantes, que são, até certo ponto, duras, as quais atingem o âmago das pessoas mais tradicionalistas do país, principalmente de gerações mais antigas.

O filme tem como protagonista o “Rei da Índia”, Shah Rukh Khan, interpretando Mohan, um homem solteiro e bem sucedido que trabalha como projetista da NASA. Mohan, apesar de não lhe faltar nada que o dinheiro possa comprar, vive solitário, pois se dedica quase integralmente a seu ofício. Tendo perdido seus pais em um acidente automobilístico, Mohan confidencia a seu amigo o desejo de voltar à Índia para buscar uma pessoa que ele tem uma gratidão enorme e que, em nome da sua vida profissional, negligenciou-a nos últimos anos.  O nome dela é Kaveri Amma, uma senhora que cuidou dele até os 17 anos e que é a personificação da figura materna. Ela traz boas memórias à Mohan, que se sente culpado de não ter dado a devida atenção àquela senhora tão importante em sua vida, principalmente na velhice.  Ao chegar a sua terra natal ele encontra numa aldeia, além de seu objetivo, uma Índia totalmente antagônica a sua realidade na América. Uma Índia separada por castas baseadas na cor da pele, onde as pessoas sofrem, a cada dia, as consequências de atitudes baseadas em tradições e crenças de seu povo. Ele reencontra também a jovem Gita, professora da aldeia, a qual conviveu na infância, e que tem ideais revolucionários e modernos, os quais se chocam com as tradições tão arraigadas na cultura indiana. O homem moderno do mundo capitalista e a mulher rebelde e visionária formam uma combinação perfeita na qual até o amor pode acontecer. Mohan então tenta buscar respostas e soluções para os problemas da aldeia  – e do próprio país -, mesmo contando com a desconfiança de muitos.

O trabalho de Mohan na NASA representa uma antítese em relação às condições rudimentares de vida de boa parte da população da Índia naquele momento. Um homem que mexe com tecnologia de ponta “ilhado” numa pequena aldeia que faz “arrumadinhos” para ter uma energia elétrica precária, onde os habitantes vivem presos a preconceitos de raça, e se encontram engessados num mundo subdesenvolvido e estagnado no tempo, em nome da memória de seus antepassados, que criaram normas de comportamento e rituais que sobrevivem por gerações.

Ao passo que as crenças de um determinado país, principalmente ligadas à religião, representam sua alma e o caracteriza e o identifica perante o mundo, elas também podem ser bastante prejudiciais a sua população contemporânea, pois ela vive outra realidade. Um exemplo disso, é um casamento no qual a mulher é obrigada a ser dona de casa – cena explicitamente mostrada no filme. Num país superpopuloso, com tantas castas, religiões, dialetos, diferenças e desigualdades, “Swades” cai como uma bomba mas, no final, para a alegria de todos, a bondade e a união acima de tudo prevalecem como ensinou o líder espiritual dos indianos, Mahatma Gandhi.

O trailer segue abaixo.

Adriano Zumba

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