A onda (2008)

País: Alemanha

Duração: 1 h e 47 min

Gêneros:  Drama, thriller

Diretor: Dennis Gansel

IMDB: www.imdb.com/title/tt1063669/

Eis um filme complexo que engloba conceitos políticos, relacionamentos familiares e métodos de ensino. Ele descreve com lucidez o mundo juvenil que é muito organizado e racionalizado e o revela como réplica de uma sociedade vazia e cruel. Antes de introduzir o filme, há um termo bastante relevante que é necessário ter compreensão para o bom entendimento do roteiro: autocracia. Esta palavra deriva do grego e significa autogoverno (auto=próprio e kratia=poder). Neste tipo de governo, o indivíduo ou o grupo que lidera tem poder ilimitado para mudar as leis para que sejam obedecidas e observadas pela massa dominada. Algo diretamente relacionado à ideologia do fascismo italiano de Mussolini ou ao nazismo alemão de Hitler. O filme foi baseado em acontecimentos reais em uma escola secundária na Califórnia em 1967.

Eis a sinopse: Em uma escola na Alemanha, haverá uma semana de projetos relacionados a temas políticos. Em uma turma seria ensinada a autocracia e na outra a anarquia. O foco do filme é a primeira turma (a que lecionaria a autocracia) e seu professor, Rainer Wenger. Após fazer um brainstorming com os alunos e fazê-los entender as características da autocracia e de regimes ditatoriais, o professor resolve trazer estes conceitos para a vida real e implantar em sala de aula um regime parecido, porém ficcional. Ele foi eleito o mandatário do regime e os alunos seriam a população manipulada. Tal movimento recebeu o nome de “A Onda”. O problema foi que isto tomou uma proporção maior que o imaginado e, inclusive, ultrapassou os muros da escola. “A Onda” saiu levando tudo que via na frente. A organização ficou com cara de gangue e os envolvidos com cara de militantes e/ou soldados.

O principal viés do roteiro é realmente mostrar o poder sedutor do discurso sobre as pessoas que estão inseridas em um contexto amplo de insatisfação. Partindo de vários pressupostos, explicitamente elencados, os quais poderiam levar à um regime ditatorial, ou seja, quais as estruturas sociais que favorecem o surgimento de um ditadura, a narrativa, didaticamente e paulatinamente, em um trabalho de formiguinha, monta, aos poucos, com a ajuda da palavra do líder – o professor – o ambiente propício para o desenvolvimento de um ambiente fascista. Foi assim que Hitler apareceu: com o mesmo tipo de discurso nacionalista e segregador, e eleito por pessoas de bem da sociedade, às quais estavam insatisfeitas com a conjuntura corrente. Em “A Onda” temos uma “maquete de regime totalitário e absolutista”, que atuou em um público pequeno, mas que prontamente podemos aplicar os seus conceitos a grandes massas populacionais, como já vimos várias vezes ao longo da história da humanidade. Depreende-se que podemos facilmente, por analogia, estender a compreensão da história à escolha de nossos representantes.

Quanto ao foco educacional da experiência, temos que levar em consideração a vida de cada aluno utilizado como “cobaia”. Há problemas de cunho sócio-familiares, pois a reação de cada jovem à implantação desta experiência é intrinsecamente relacionada a seu dia a dia com suas famílias – seus micro-cosmos particulares. Os que têm limites impostos por seus pais e têm uma família organizada acabam por repudiar ou questionar a nova ordem da sala de aula, e os que de alguma forma têm carência de autoridade, ausências ou problemas familiares acabam influenciados muito mais facilmente – e até se alienando. Vemos também que pessoas com suas capacidades intelectuais mal formadas e/ou mal desenvolvidas podem ser influenciadas a ponto de seguirem ideologias totalmente contrárias ao que eles precariamente pensavam e seguiam. O período de desenvolvimento da identidade de cada um é bastante importante e não pode ser negligenciado, porém isto é algo muito comum entre as famílias: deixar a educação de seus filhos nas mãos da escola.

Resumindo de forma rápida a narrativa, vemos quão alienados ficaram os alunos e que a experiência educacional que, a princípio foi bem aceita e até teve um quê de inovação, não poderia ter sido aplicada em pessoas imaturas. Acabamos refletindo sobre o tamanho da  responsabilidade que os professores têm nas mãos através da possibilidade de criar métodos de ensino eficazes e que tragam bons resultados para a educação pedagógica de nossos filhos, e também o fundamental papel da família, que deve prover a chamada educação para vida, de modo que introduzam na sociedade pessoas de bom caráter e sabedoras de seu papel no mundo. Aprendemos que se algo pode sair do controle, melhor nem iniciar. Melhor prevenir do que remediar!

O trailer, com legendas em português, segue abaixo.

Adriano Zumba

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