Dangal (2016)

País: Índia

Duração: 2 h e 35 min

Gêneros: Ação, biografia, drama, esporte

Diretor: Nitesh Tiwari

IMDB: www.imdb.com/title/tt5074352/

O esporte é um tema que desperta paixões, emociona e traz à tona facilmente um sentimento de patriotismo. Apostando nisto, o diretor Nitesh Tiwari repetiu a fórmula que tem levado ao sucesso vários filmes indianos contemporâneos: mostrar a cinebiografia de algum atleta de sucesso do país. Para não correr riscos por produzir um filme com uma tematica já tão explorada, foi escolhido para o papel do protagonista o homem que possui o toque de Midas do cinema indiano, o superstar Aamir Khan que, desta vez superou-se, por conta da transformação que submeteu-se para viver seu personagem em duas faixas etárias da vida. Aamir engordou 25 kg e depois perdeu o mesmo peso. Foi a 38% de gordura corporal, voltou a 9% e ficou com o corpo bastante atlético. Algo até perigoso para saúde, por essa transformação ocorrer em um período de apenas um ano e em um homem com 51 anos de idade mas são ossos do ofício.

Aamir interpreta o lutador Mahavir Singh que, em suas épocas áureas, conquistou diversos títulos nacionais mas, por problemas financeiros, abandonou a luta para poder trabalhar e sustentar sua família contudo a luta não o abandonou. Sua maior frustração era não ter conquistado a primeira medalha de ouro em uma competição internacional para a Índia que tem este esporte enraizado em sua cultura e o mesmo é praticado massivamente pelos homens e meninos no país. Mahavir, já mais velho e obeso, só visualizava uma maneira de realizar o seu sonho que era por intermédio de um filho que ele viesse a ter, contudo, o destino lhe pregou outra peça pois a sua prole foi toda feminina: 4 meninas. Porém, certo dia, ao ver que suas duas filhas mais velhas, Geeta e Babita, surraram dois meninos que lhes importunavam, Mahavir enxergou nelas um grande potencial para a luta e para realizar seu sonho, então, passou a treiná-las.

O roteiro revela, em relação ao personagem Mahavir Singh,  não apenas um sonho, um intenso desejo mas sim uma verdadeira obsessão em conquistar a tal almejada medalha de ouro e isto o levou a um comportamento possessivo e agressivo que entrou em conflito com o bem-estar e até com a vontade de suas filhas. Há, ainda, aquelas tradicionais forças retrógradas que consideram as mulheres indianas como seres inferiores que nasceram para praticar a subserviência em relação ao sexo masculino e então, o preconceito foi mostrado à vontade em boa parte do filme pela prática, por mulheres, de um “esporte de homem”. O detalhe é que a história se passa em pleno século XXI.

A trama transcorre ao olhos de Omkar, sobrinho de Mahavir, que narra algumas partes do filme e foca ,principalmente, em sua prima Geeta, a primeira a alcançar reconhecimento através da luta, mostrando uma garota, à princípio relutante mas posteriormente satisfeita com o que alcançara.  O problema é que Geeta foi perigosamente tomada por um sentimento de soberba e um senso de liberdade adquirido pela obrigação de ir treinar longe de casa, e com outro técnico, por conta de suas vitórias em âmbito nacional. Talvez, algo até natural para alguém que, por ser mulher num país como Índia, tenha levado uma vida repleta de restrições. Babita, por sua vez, tem um papel secundário na história no tocante ao esporte, apesar de também ter tido sucesso, mas sua participação na narrativa foi de fundamental importância para o desfecho o qual deixa uma mensagem de volta às raízes e respeito à família que é bastante digna.

No final das contas é mais uma história de perseverança e superação proporcionada pelo esporte. Um tema clichê que, apesar de aparentar estar exaurido, sempre aparece em obras cinematográficas ao redor do mundo, principalmente na Índia, onde seus cineastas  adoram tal temática, porém, o jeito indiano de fazer cinema tempera a história com suas especiarias, concede uma atenção especial à trilha sonora e a fotografia e acaba tornando o filme uma excelente produção. Não à toa, “Dangal” ganhou o Filmfare de melhor filme em 2017 que é o correspondente ao Oscar e o prêmio máximo da indústria cinematográfica em terras indianas.

O trailer com legendas em inglês segue abaixo.

Adriano Zumba

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