Bedevilled (2010)

Título original: Kim Bok-nam salinsageonui jeonmal

País: Coréia do Sul

Duração: 1 h e 55 min

Gêneros: Crime, drama, terror, suspense

Diretor: Cheol-soo Jang

IMDB: www.imdb.com/title/tt1646959/

Sangue, sangue e mais sangue ruboriza a tela em um filme produzido em uma das terras asiáticas dos olhos puxados, a Coréia do Sul. Pensou em cinema coreano, a palavra vingança, automaticamente, vem à mente. Cabe informar que a vingança mostrada em “Bedevilled” é aquela mais visceral, mais seca, assim como aquela mostrada em “Eu vi o diabo“, já comentado aqui no blog (clique aqui para ler a crítica). É aquela vingança automática, não planejada, provocada por uma reação natural e insconsciente de um ser humano em estado de desespero e desequilíbrio emocional. Estas características tornam o filme mais comum, sem aquelas espetaculares mortes planejadas, mas o bom roteiro acaba compensando a falta de criatividade dentro da temática. “Bedevilled” tem cara de mais do mesmo mas não é. Traduzindo o título do filme, bedevilled significa atormentada e define bem o estado de espírito de sua principal protagonista.

Temos que assistir ao filme e interpreta-lo sob a perspectiva das duas personagens: Hae-won e Bok-nam. A primeira é uma mulher que vive na capital da Coréia, Seul. Ela já está chegando ao seu limite de estresse por conta de uma série de problemas, tanto pessoais quanto laborais. Após um incidente, ela é obrigada a tirar férias e vai passar uns dias numa ilha muito afastada onde passou sua primeira década de vida com seus avós. Lá, vive sua amiga de infância, Bok-nam, uma mulher que nunca pôs os pés fora da ilha e é tratada como um animal pelos demais habitantes do local, inclusive por seu marido. Aos olhos de Hae-won, a realidade de sua amiga vai sendo revelada e, um dia, após um fato doloroso, Bok-nam perde a cabeça e parte para uma vingança cega.

O roteiro traz à tona diversos assuntos que aprofundam a discussão sobre o filme. O mais importante tema é a condição da mulher como o chamado sexo frágil. Hae-won é a mulher moderna, sozinha e independente que acaba por não suportar o estilo de vida capitalista que é recheado de facilidades, todavia esconde uma série de dificuldades. Ela tem tudo ao seu alcance, porém a felicidade passa longe de sua existência, ao ponto de ter que buscar suas raízes como um acalento para sua alma. Por outro lado, Bok-nam, tratada como um espírito moribundo, vivendo uma vida quase selvagem, abusada sexual e psicologicamente, sendo praticamente uma “escrava da ilha”, consegue suportar tantas provações e busca em sua filha, Yeon-hee, uma motivação para viver, porém ela sonha em fugir para a civilização e deixar para trás aquela realidade assustadora. Nota-se que a dita fragilidade das mulheres aparece na personagem mais abastada e uma força sobre-humana aparece na personagem marginalizada. Depreende-se que a força interior de cada um independe do sexo. Normalmente, as pessoas mais sofridas apresentam uma condição mais resiliente em relação aos obstáculos que vida impõe, ao passo que as demais encontram dificuldades em lidar até com pequenos problemas do cotidiano, contudo a tal resiliência tem limites e, uma hora, o vulcão interior de cada um pode entrar em erupção e queimar tudo que passa a sua frente.

Ao longo da narrativa, uma viagem temporal mostra a convivência das amigas na infância e nos ajuda a entender diversos pontos do roteiro. Explica o porquê de muitos acontecimentos e até deixa em aberto alguns comportamentos presumidamente homossexuais entre elas. Cabe ao espectador decidir se é amor ou amizade! O certo é que as duas apresentam uma carência afetiva muito grande, uma cumplicidade mútua e a presença de uma na vida da outra acaba sendo necessária e desejada  durante a história. Cabe esperar para ver se o acesso de loucura de Bok-nam, a partir de um certo ponto da narrativa, irá interferir em sua relação com Hae-won.

“Bedevilled” é mais um “espécime” da linhagem de filmes sangrentos do cinema coreano contemporâneo. Acho que os cineastas do país são fãs de Tarantino.

O trailer é bastante intenso e, na minha opinião, revela muito do filme. Segue abaixo com legendas em inglês.

Adriano Zumba

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2 comentários Adicione o seu

  1. Ana Luísa disse:

    Prezado Adriano, o Tarantino que é fã declarado do cinema sangrento asiático! Boa crítica. Abraços.

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    1. Obrigado Ana Luísa. Enxergo sempre a influência desses filmes asiáticos no cinema “tarantinesco” e não tenho nada a reclamar. Gosto muito.

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