A chantagem (2015)

Título original: Drishyam

Título em inglês: The sight / Visual

País: Índia

Duração: 2 h e 43 min

Gêneros: Crime, drama, mistério, suspense

Diretor: Nishikant Kamat

IMDB: www.imdb.com/title/tt4430212/

A indústria cinematográfica indiana é subdividida em regiões, e o critério para essa fragmentação é o idioma. No sul da Índia, no Estado de Kerala, encontra-se a indústria malaiala. Em 2013, esse polo presenteou os espectadores do país com um suspense sensacional, chamado “Drishyam“. Devido ao idioma pouco falado dessa região, a indústria do polo de Mumbai, comumente chamada de Bollywood, resolveu refilmar integralmente o grande sucesso da indústria malaiala, mas, desta vez, no idioma local, o hindi, e, a partir daí, exportá-lo para o resto do mundo. O sucesso foi o mesmo, a qualidade foi a mesma, e, desse processo, nasceu “A chantagem”, um excelente suspense que testa a inteligência e astúcia do protagonista ao limite e garante tensão e olhos vidrados na tela por boa parte da narrativa.

O filme conta a história de uma pacata família indiana. Seus componentes são: Vijay Salgaonkar, um pequeno empresário do ramo de TV a cabo, sua esposa, Nandini, e suas filhas, Anju e Anu. Após passar alguns dias num acampamento, Anju se encontra com Sam, um rapaz que ela tinha conhecido no local, e é vítima de uma chantagem: ela deve conceder favores sexuais ao rapaz para não ter divulgado na internet um vídeo, gravado secretamente por Sam, no qual ela está despida e tomando banho. Na noite do mesmo dia, ao se encontrarem novamente, em um momento de desespero, Anju, com a ajuda de sua mãe, assassina Sam. O cometimento de um crime já é um ato que traz grandes implicações a seu autor, mas, na narrativa, há um potencializador dos problemas: Sam é filho da inspetora-geral da polícia de Goa (cidade da Índia), a temida Meera. A partir desse momento, o patriarca da família, Vijay, assume as rédeas do caso e, usando toda a sua inteligência, tenta se livrar da polícia, pois, após o desaparecimento de Sam e as investigações preliminares, a família Salgaonkar é a suspeita número 1.

Começo a discussão sobre o filme com um conselho de amigo: “não desistam do filme”. Digo isso por que os primeiros 40 minutos – antes do assassinato – são extremamente arrastados e se resumem a mostrar fatos cotidianos da família, com foco em Vijay, contudo, nesse período de tempo há informações importantes que serão utilizadas ao longo do filme. Recomendo bastante atenção em todos esses fatos preliminares, pois, muitos deles terão fundamental importância ao longo da narrativa. Após o crime, o filme começa! Por conta do início devagar, vemos que o roteiro toma uma trajetória crescente, no tocante à tensão transmitida e o interesse proporcionado ao espectador. Tendo como núcleo de pensamento a importância da família, a história, então, desenvolve-se com ações imorais, ilegais e antiéticas de ambas as partes, a família Salgaonkar e a polícia, representada pela figura da inspetora Meera – que se confunde com a figura da mãe de Sam. Quando alguém que se ama está em perigo, vale tudo!

As cenas nas quais os agentes da polícia interrogam os suspeitos mostram uma violência extrema, inclusive com agressões às mulheres e crianças, apesar de tais atos receberem a pecha de ilegais em falas do próprio filme. Já aviso que essas cenas causam revolta e agonia no espectador. Abro um parêntese aqui para citar que já vi em outros filmes indianos com a mesma temática violências similares na atuação da polícia. Talvez, o modus operandi da polícia do país seja esse mesmo, mas sabemos que, nesse caso, há as variáveis do parentesco e do amor envolvidas, e isso traz à baila ações impensadas e desesperadas. Por fim, após tanto sofrimento das duas famílias, a de Vijay e a de Meera, após um jogo de gato e rato no qual a perspicácia é o que mais importa, e após um show de atrocidades, felizmente, imperam o bom-senso e a decência, para o nosso alívio, simples espectadores necessitados de um relaxamento, depois de duas horas de uma hiperbólica inquietude.

O destaque absoluto do filme é realmente o roteiro – um dos melhores que já vi num filme indiano – , mas preciso destacar, também, os recursos de filmagem, principalmente o uso primoroso da câmera lenta, a iluminação de várias cenas do filme, que transmite a obscuridade dos atos cometidos, e os efeitos sonoros que potencializam as emoções e aumentam consideravelmente a tensão. Nada mais que a excelência em relação aos aspectos técnicos da fantástica indústria de cinema da Índia – principalmente nos últimos anos.

Preparem-se para muitas surpresas, reviravoltas e doses cavalares de apreensão. “A chantagem” é muito mais que apenas um mero filme policial, é um confronto de estratégias no qual não há vencedores. Sobram apenas a dor e o remorso. Ainda há uma mensagem importante sobre o mimo exacerbado que alguns pais dão a seus filhos. É um filme que irá para minha lista de primeiras recomendações!

O trailer sem legendas segue abaixo.

Adriano Zumba

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4 comentários Adicione o seu

  1. Show de dica, acho maravilhoso a determinação da India com o cinema, muito boa essa dica, valeu!!!!

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