Os girassóis da Rússia (1970)

Título original: I girasoli

Título em inglês: Sunflower

Países: Itália, França, União Soviética

Duração: 1 h e 47 min

Gêneros: Drama, guerra

Elenco Principal: Sophia Loren, Marcello Mastroianni, Lyudmila Savaleva

Diretor: Vittorio de Sica

IMDB: http://www.imdb.com/title/tt0065782/


Vittorio de Sica, vários anos após a sua fase neorrealista – sua melhor fase, diga-se de passagem -, na qual mostrou com maestria os problemas sociais da Itália logo após a Segunda Guerra Mundial, presenteou seus espectadores com este filme emocionante, “Os girassóis da Rússia“, que é considerado por muitos críticos como uma das mais belas histórias de amor que a sétima arte já produziu. Um romance carregado com uma alta carga dramática – e algumas doses de comédia – que coloca os personagens, e, por conseguinte, os espectadores, em uma situação quase insolúvel, isto é, um beco sem saída. Trata-se da tragédia do amor, para contrapor seus propósitos intrínsecos, a fim de se tornar impossível e vitimizar os envolvidos!

Eis um resumo do enredo: “Em mais uma parceria de Marcello Mastroianni e Sophia Loren, uma das duplas mais amadas da história do cinema, conhecemos Antonio e Giovanna. Ele é um homem de muitas aventuras românticas, totalmente avesso ao casamento e prestes a partir para a guerra como soldado. Ela é apaixonada por Antonio e louca para casar com ele. Em uma tentativa de evitar a ida de Antonio para a guerra, eles se casam e logo descobrem um grande sentimento, mas a estratégia é em vão, pois Antonio tem que partir para a Rússia para defender os interesses de seu país. Tempos depois, alguns soldados regressam, mas, para tristeza de Giovanna, Antonio não está entre eles. Então, ela corajosamente viaja à procura de seu grande amor e descobre algo nada interessante: seu grande amor está vivo e tem uma nova família.”

O roteiro não é espetacular, mas é muito competente e bem sucedido ao conseguir prender a atenção do espectador, pois relacionamentos amorosos normalmente são atrativos quando bem trabalhados em uma obra cinematográfica. Mesmo com aqueles velhos clichês da utilização de um homem libertino no tocante ao sexo que, por qualquer motivo, acaba se casando e descobrindo o amor com o passar do tempo, e daquela jovem mulher que faz de tudo para “segurar” o seu pretendente, a narrativa, evidenciando as oportunidades da vida, principalmente na seara amorosa, guia os personagens para um caminho sem volta, no qual o amor se torna apenas um mero “coadjuvante de luxo”. Há até um frase dita por Giovanna que explica bem essa conotação dada ao mais sublime dos sentimentos: “depois percebi que se pode viver até sem amor”. É bom revelar que, neste ponto, Giovanna já tinha um relacionamento com outro homem, e Antonio, como comentado no segundo parágrafo, tinha uma nova família. Apesar de toda a dor e todo o sofrimento, uma saída não egoísta e com menos implicações para as pessoas ao redor foi escolhida, como solução para o conflito criado pelo roteiro. Quando a vida fecha uma porta, abre uma janela, mesmo que não seja a janela ideal ou desejada, e, com isso, as pessoas devem trabalhar a resiliência, a capacidade de adaptação a novas realidades e continuarem as suas existências da melhor maneira possível, apesar das cicatrizes de amor, como sugere o filme.

Preciso destacar enfaticamente duas características técnicas de “Os girassóis da Rússia“: a fotografia, que em algumas passagens mostra belos campos de girassóis que dançam ao vento sob o rastro do sol e harmonizam a tela com muita cor e beleza, e, principalmente, a trilha sonora, que, particularmente, considero uma das mais bonitas da história do cinema. Não costumo colocar músicas em meus posts, mas vou abrir uma exceção e colocar um vídeo do YouTube com o tema romântico do filme. Segue abaixo para apreciação.

No final de tudo, o filme acaba sendo bem interessante de assistir e proporciona uma boa jornada, pela presença de duas das maiores lendas da sétima arte, Loren e Mastroianni, em um dos mais de 10  filmes que essa parceria rendeu, sendo dirigidos por um dos maiores cineastas italianos da história, de Sica, e por provocar sentimentos e apertar o coração dos espectadores. Cinema não é apenas diversão e entretenimento, é também emoção – e, nesse filme, ela extrapola os limites aceitáveis.

O trailer segue abaixo.

Adriano Zumba


4 comentários Adicione o seu

  1. Maravilhoso, pra mim um dos grandes do cinema, Top, show!

    Curtir

  2. Filme maravilhoso!!!

    Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.