Alemanha, ano zero (1948)

Título original: Germania anno zero

Título em inglês: Germany year zero

Países: Itália, França, Alemanha

Duração: 1 h e 11 min

Gêneros: Drama, guerra

Diretor: Roberto Rossellini

IMDB: http://www.imdb.com/title/tt0039417/

Filmes sobre a Segunda Guerra Mundial temos aos montes, principalmente mostrando acontecimentos durante o período da guerra e focados na figura de Adolf Hitler. Filmes sobre o pós-guerra também temos muitos, mas apenas se formos considerar um país específico – a Itália. O movimento neorrealista italiano, que desnudou para o mundo a situação social do país após o desastre da guerra, também mostrou a realidade de outros países, como a Alemanha, o principal protagonista da Segunda Guerra Mundial. Um dos encabeçadores do neorrealismo italiano, Roberto Rossellini, voltou suas atenções para a Germânia devastada pela guerra e utilizou a mesma fórmula dos filmes italianos daquela época. O resultado disso foi “Alemanha, ano zero”, uma das obras-primas do diretor e um dos filmes componentes de sua famosa Trilogia da guerra, juntamente com “Roma, cidade aberta” (1945) e “Paisá” (1946).

O filme se passa em meio às ruínas da cidade de Berlim, assolada pela destruição causada pela Segunda Guerra Mundial, recém finalizada. Após as cenas iniciais, que mostram apenas escombros e imergem o espectador naquele cenário desolador, já conhecemos o protagonista da história, o garoto Edmund – um garoto de 12 anos, órfão de mãe, que busca formas para ajudar a sua família a sobreviver. Seu pai está gravemente enfermo; seu irmão está preso em casa por vontade própria, por ser nazista e se negar a aceitar as imposições dos estrangeiros que invadiram seu país – por conta disso, não recebe comida do governo, ou seja, a comida recebida por três pessoas, alimenta quatro; sua irmã, a única mulher da casa, sustenta a barra da família e é acusada, injustamente, de se prostituir para os soldados aliados. Um dia, Edmund encontra seu antigo professor de nazismo, o pedófilo Enning, que arruma um serviço para ele e se torna seu conselheiro. Em um desses encontros, após Edmund relatar a situação moribunda de seu pai, considerado por si próprio como um peso para família, Enning, com seu discurso nazista, diz que a lei do mais forte sempre deve imperar. Essa conversa confunde a cabeça do inexperiente garoto e faz com que o rumo da narrativa seja outro. O viés de sobrevivência continua, porém as atitudes mudam.

Para quem só conhece a Segunda Guerra através de livros, eis uma ótima oportunidade de literalmente enxergar as consequências que ela produziu. Prédios e casas parecendo grandes entulhos de tijolos; pessoas vagando pela rua atrás de restos de alimentos – até a carne de um cavalo morto – e qualquer objeto que possam vender para obter dinheiro; crianças e adolescentes, órfãs de pai e mãe, expostas à violência das ruas e à prostituição. Apesar de tudo, o mais surpreendente é que, em várias passagens do filme, vemos órfãos diferentes – pessoas saudosas do regime nazista. É impressionante a magnitude da lavagem cerebral que Hitler fez nos cidadãos alemães. Mesmo sendo uma história de ficção, o contexto é real, as locações são reais. Rossellini mostrou nada mais que a realidade – da maneira mais nua e crua possível.

O roteiro de “Alemanha, ano zero” pode ser resumido através de uma única palavra: desespero. Um estado de consciência que julga uma determinada situação como insolúvel, sem saída. Desespero se relaciona com desesperança. A lei da vida se confunde com a lei da sobrevivência. Conceitos muito abstratos para uma criança de apenas 12 anos, que, sem opções, vivencia fome e dificuldades. No fim das contas, o tal desespero, considerado como palavra-síntese, acaba suplantando até o amor. São reações adversas da guerra, as quais não deveriam nem existir, pois não há indicações plausíveis para ela. Só para mentes doentias – como a de Hitler.

O título do filme denota recomeço, reconstrução, gênese. O ano zero de um país destruído, de uma população faminta, sem esperança. O início de uma nova fase, não apenas para a Alemanha, mas para todo o mundo, após a maior babárie da história da humanidade. O que eu posso dizer, após assistir ao filme, é que recomeçar numa situação dessas é mais difícil do que podemos imaginar. Apesar de ser um dos filmes mais tristes que já vi, recomendo “Alemanha, ano zero” por exibir a vida como ela é – ou como ela foi. Um retrato de uma sociedade fadada à degradação. Ao fim, só resta realmente o desespero.

Infelizmente, não encontrei o trailer, mas encontrei o filme completo legendado em português. Segue abaixo.

Adriano Zumba

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