Kaabil (2017)

Título em inglês: Kaabil – The mind sees all

País: Índia

Duração: 2 h e 19 min

Gêneros: Ação, crime, thriller

Diretor: Sanjay Gupta

IMDB: https://www.imdb.com/title/tt5460276/


Um filme para quebrar esteriótipos quanto à capacidade de pessoas com deficiência visual. Um filme para mostrar até que ponto pode chegar uma pessoa movida por um destrutivo sentimento de vingança. Um filme que exibe amor e ódio sem pudores. Esse é “Kaabil“, cuja tradução para o português – segundo vi na legenda da versão a que assisti – é hábil, que tem uma perfeita relação com os fatos mostrados na história, pelas habilidades que possui o protagonista: aquelas relacionadas à dificuldade para realizar as simples ações do cotidiano, por conta das limitações impostas pela cegueira e aquelas específicas do seu ofício de dublador/imitador, no qual ele é um dos melhores.

A sinopse, retirada da internet, é a seguinte: “Rohan Bhatnagar é um jovem bondoso e feliz que é cego desde que nasceu. Através de amigos ele conhece Supriya Sharma, uma mulher trabalhadora que também é cega, mas orgulhosamente independente. Os dois se apaixonam e se casam. Eles vivem felizes até uma terrível tragédia acontecer. Movido pelo fogo da vingança, nada deterá Rohan. Nem mesmo o fato de ele ser cego.”

Temos duas narrativas distintas em “Kaabil“. A primeira é indiana, e a segunda, coreana. Explicando melhor, o primeiro terço do filme mostra aquele puro e intenso amor constantemente visto nas mais diversas produções indianas, porém, desta vez, ele é retratado com muito esmero, com muita delicadeza – até com uma certa ingenuidade -, principalmente pela presumidamente frágil condição de deficientes visuais dos envolvidos. O espectador sente todo o processo de aproximação entre o casal e também a dependência emocional que eles desenvolvem com o tempo. Há uma imersão sentimental na história através da satisfação proporcionada pela união de duas pessoas que compartilham um grande problema, e, ao mesmo tempo, sabem lidar com ele de modo minimizar as dificuldades que ele acarreta. Logo no início, a cena do shopping já envolve e enlaça o coração dos espectadores. O contexto, nesse momento, é de felicidade extrema.

Nos outros dois terços do filme, há uma virada brusca e pesada no viés narrativo, a bolha de romance indiana se desfaz rapidamente e dá lugar a sentimentos antagônicos aos apresentados anteriormente. Praticamente outro filme se inicia – com uma temática comumente vista em produções coreanas: a vingança. Um cego desejo de matar irá mover o protagonista até o fim de seus inimigos ou de sua vida.  Nesse ponto, entra em cena a excelência dos roteiristas indianos. Após o mel do amor escorrer na tela, é chegada a hora de uma vingança espetacular, possibilitada por um roteiro inteligente, que é facilmente encontrado em outras produções do país. Esse é o padrão indiano de escrever roteiros! O adjetivo explicitamente informado no título, hábil, faz jus a sua escolha. A maneira como a vingança é arquitetada e implementada é bastante previsível, pelas informações que já foram dadas em relação ao protagonista. Isso retira o fator surpresa, porém não compromete o andamento do enredo, pois a execução da vingança é interessantíssima. Pude constatar apenas alguns pequenos defeitos, principalmente na cenografia, mas isso passa até despercebido pela maioria dos espectadores. O que interessa mesmo é a ação e o suspense. Nisso, o filme é excepcional. Há, também, um número musical extremamente mal colocado nesse parte tensa da narrativa, que, na minha opinião, não encontra guarida naquele contexto. É um tentativa malsucedida de tornar mais indiana a parte coreana do filme.

Há, também, algumas temáticas acessórias que merecem destaque: a corrupção policial e uma sutil e até discutível alusão à honra, que é um valor importantíssimo para as pessoas da Índia – principalmente as mais tradicionais. São temas comuns e constantes na cinematografia de lá.

Em resumo, “Kaabil” propicia diversas sensações, e sentimentos contrastantes: regozijo e angústia, leveza e peso, tranquilidade e tensão. Muita coisa para a simples alma de um espectador desavisado, mas, ao fim, sobram razões para que o filme seja considerado como uma boa jornada.

“A mente vê tudo!”

O trailer segue abaixo.

Adriano Zumba

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2 comentários Adicione o seu

  1. Anônimo disse:

    Amo este actor tudo k ele faz faz muito bem

    Curtir

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