X+Y (2014)

Título em inglês: A brilliant young mind

País: Reino Unido

Duração: 1 h e 51 min

Elenco Principal: Asa Butterfield, Rafe Spall, Sally Hawkins, Jo Yang

Gêneros: Drama, romance

Diretor: Morgan Matthews

IMDB: https://www.imdb.com/title/tt3149038/


Existe uma fórmula para definir o amor? Existe um método empírico e objetivo que consiga explicar um dos mais belos sentimentos humanos? Talvez, apenas duas variáveis, x e y, não sejam suficientes para detalhar o complexo mundo do amor. Talvez, seja melhor utilizar a química ou a biologia para tentar decifrar o enigma, em vez da matemática, mas, se as duas variáveis a que aludi representarem dois seres humanos que se entregam ao sentimento, a chance de o amor florescer tende ao infinito. Esta ideia de soma entre duas pessoas, como um concreto complemento matemático, entre outras temáticas interessantes, como o autismo, definem o filme em tela. Um bálsamo de delicadeza que a sétima arte proporciona a seus espectadores.

Eis a sinopse retirada da internet e com adaptações: “Prodígio da matemática, o jovem Nathan luta para se relacionar com as pessoas, mas só encontra conforto nos números. Quando Nathan ganha um lugar na Olimpíada de Matemática, ele desenvolve “sentimentos estranhos” pela bela chinesa Zhang Mei. Em última análise, esta é a viagem de Nathan para descobrir a experiência insondável do primeiro amor, considerando sua deficiência.”

O amor entre duas pessoas, o qual pode ser de vários tipos, é o principal ponto de interesse da narrativa em tela. Para que o roteiro não exiba mais do mesmo, dada a recorrência desta temática no cinema, há de haver subtramas acessórias e preparatórias para complementar a ideia a que se quer desenvolver. Neste contexto, uma deficiência, pois Nathan exibe características que o colocam no início do espectro autista, e uma tragédia, a morte de seu pai logo no início do filme, o qual era a única pessoa com a qual Nathan conseguia interagir – em detrimento de sua mãe -, propiciam um ambiente perfeito para que algumas das várias variáveis que ajudam a descrever o amor possam obter valores diferentes de zero e contribuam com a coesão apresentada pela narrativa. Deve-se destacar que o polígono desenhado pelo roteiro fecha perfeitamente, apesar de algumas poucas dificuldades, como algumas situações forçadas, encontradas em seu traçado ideal. O personagem Martin Humphreys, que é professor de Nathan, no meu entender, poderia prescindir de sua deficiência sem prejuízo ao roteiro. Em alguns momentos o melodrama forçou a passagem, pela presença de dois personagens portadores de doenças sérias, apesar de Humphreys ser bastante apagado, mesmo tendo grande importância no enredo.

A dificuldade de relacionamento entre mãe, chamada de Jullie – cuja atriz, Sally Hawkings, as pessoas devem conhecer por sua interpretação em “A forma da água” (2017) -, e filho é desenvolvida concomitante a linha principal de raciocínio da história, e é responsavel, talvez, pelas cenas mais emocionantes da trama, juntamente com as cenas entre Michael – o pai – e Nathan quando criança. O diretor faz questão de adentrar no cerne da família, desnudando as relações entre seus componentes em seus pormenores, para justificar atos e estratégias narrativas. A família nasce do amor e passa por cima de eventuais diferenças entre seus componentes. A partir desta premissa o enredo busca aproximar as pessoas, levando sempre em consideração suas características distintas e a necessidade de entendimento baseada nesta distinção de carateres, comportamentos, atitudes e pensamentos. Nota-se que Nathan tem uma percepção adequada das situações que vida coloca à sua frente através da matemática. Depreende-se que o amor, então, deve aparecer matematicamente em relação à sua mãe e à menina que o deixou confuso, Zhang Mei. Para chegar a um desfecho satisfatório, o diretor deve encontrar uma solução lógica para o problema ou modificar a alma do protagonista, considerando o seu autismo. Saliento que a saída foi bastante engenhosa e dotada de muita sensibilidade. Uma saída bastante condizente com o desenvolvimento dos arcos narrativos dos principais personagens ao longo da exibição.

X+Y“, através de sua história envolvente, é um filme que conquista rapidamente sua plateia. As atuações de seu elenco são excelentes, seus personagens são interessantes e alguns são complexos, como o protagonista, a trilha sonora é competente, as temáticas são trabalhadas com honestidade e o melhor de tudo é que exala amor através de várias vertentes, o qual tem o poético – e às vezes real – condão de ultrapassar todos os obstáculos. É a força do amor que impera e, em decorrencia disso, a emoção insiste em tomar corpo. É bom lembrar que emoção também não é explicada pela matemática, portanto, apenas abram a porta para ela entrar, pois a experiência é gratificante.

O trailer segue abaixo.

Adriano Zumba


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