Bajrangi Bhaijaan (2015)

País: Índia

Duração: 2 h e 43 min

Gênero:  Aventura, comédia, drama

Diretor: Kabir Khan

IMDB: http://www.imdb.com/title/tt3863552/

Esta foi a grata surpresa deste mês e entrou para minha lista de favoritos pois é um filme cativante, inteligente, comovente e super-envolvente. Seus atores principais, incluindo a atriz mirim que deu um show, seu roteiro e o filme em si ganharam inúmeros prêmios nos festivais indianos. É o quarto filme indiano com maior arrecadação no mundo. O cinema da Índia está conquistando adeptos fora de seu território e, diga-se de passagem, é merecidíssimo. Os cinéfilos do mundo todo têm que conhecer os filmes masala pois eles são muito interessantes.

Para um melhor entendimento, algumas informações são importantes :

  • Índia e Paquistão travaram duas grandes guerras por causa da Caxemira que é um território bastante fértil localizado na fronteira dos dois países.
  • Na Índia, muitos animais são considerados deuses. A vaca, por exemplo, tem esse status e por isso não come-se carne bovina por lá. No filme, o Deus adorado pelo protagonista é o macaco.
  • A religião seguida predominantemente na Índia é o hinduísmo enquanto no Paquistão é a religião mulçumana.
  • O críquete é um esporte muito disseminado e adorado em ambos os países por terem sido colônias da Inglaterra durante boa parte do século XX. Os dois países têm uma grande rivalidade neste esporte.
  • Traduzindo o título temos Irmão Bajrangi. Vemos com bastante recorrência os nomes de um ou mais protagonistas nos títulos dos filmes indianos.

O filme começa apresentando a encantadora e graciosa Shahida cujo nome foi dado em homenagem a um jogador de críquete chamado Shahid. Ela era uma linda garotinha paquistanesa de 6 anos que não fala e quase perdeu a sua vida num barranco pela impossibilidade de comunicar-se e pedir ajuda. O filme não mostra a origem de seu problema com a fala. Após o grave incidente, sua mãe parte para a Índia em busca de ajuda para curar Shahida e, em uma das paradas do trem, a menininha sai para pegar um cabrito e é deixada para trás. Após isso, conhecemos o outro protagonista, o indiano Pawan conhecido também por Irmão Bajrangi. Um homem correto, inocente, extremamente religioso e com uma bondade de coração até difícil de descrever porém ele era aquele tipo de pessoa “bom para nada”, ou seja, um fracasso na escola, não deu certo na luta-livre, um esporte popular na Índia, sem emprego, etc. As vidas de Shahida e Pawan se cruzam num festival cultural de uma cidade e agora ele terá que, de alguma forma,  encontrar os pais e o lar da garotinha. Por não saber seu nome, ele passa a chama-la de Munni.

Crianças em situações de vulnerabilidade e/ou perigo são temas que normalmente comovem e, para potencializar a emoção, foi criada uma situação desesperadora. Além disso, foi inserida na história a rixa eterna entre Índia e Paquistão que dificultou bastante as ações do filme. Pequenos detalhes foram mostrados ao longo da narrativa para que víssemos as diferenças entre as culturas dos dois países as quais são influenciadas em sua maioria pela religião. A religião molda a maneira de viver das pessoas de um jeito que as priva de várias coisas da vida cotidiana. Além disso, para os mais fanáticos e rancorosos, instiga um ódio irracional que transcende qualquer tipo de razão. Outra coisa que chamou a atenção é que num roteiro com temas tão humanos, a internet tem um papel fundamental no desfecho da história.

A situação de Shahida por si só já serviria para termos um belo filme mas houve a preocupação de transmitir uma mensagem de paz muito interessante. Pode ser feito até um paralelo entre a mensagem da música Imagine de John Lennon e o filme. Uma mensagem de paz universal entre os povos que mostra que a guerra não leva a lugar algum. Os seres humanos deveriam ser unidos não apenas pelas suas semelhanças mas também pelo respeito a quaisquer de suas diferenças. De propósito, a casa de Shahida estava localizada na Caxemira paquistanesa.

O certo é que é impossível não apaixonar-se por Shahida e não torcer pela aventura do Irmão Bajrangi em busca de seu objetivo. Para quem acompanha o cinema indiano, é muito fácil vir à cabeça o filme “Como estrelas na terra”. Apesar de grandes diferenças de roteiro, os filmes têm bastantes semelhanças semânticas. Apenas por esta informação já temos garantia de qualidade, roteiro inteligente e grandes emoções.

Mais um típico filme indiano masala com muitas cores, cenários magníficos e trilha sonora impecável. Este não é recomendado, é super-recomendado. Emocione-se como poucas vezes você já emocionou-se num filme. Confesso que ao fim das quase 3 horas de “imersão na história”, tive que respirar fundo para me recompor. Algumas obras do cinema indiano são especiais e esta é uma delas.

O trailer com legendas em inglês segue abaixo.

Adriano Zumba

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